Oficina Educação em Foco “Empatia”

I – Empatia – Colocando-se no Lugar do Outro

Para introduzir o tema Empatia, iniciamos as reflexões do encontro com um desafio aos participantes: cada um deveria adotar uma posição que representasse a sua personalidade e, em seguida, permanecer como estátua.

Ao sinal do facilitador cada um deveria escolher a pose de alguém para imitar. Dado o sinal, trocamos de lugar, fazendo a pose e ficando no lugar da pessoa escolhida.

Ao fim da atividade foi proposta a seguinte reflexão: É fácil se colocar no lugar do outro? Neste exercício, o que mais auxiliou você para poder se colocar no lugar do outro?

 

II – Os Julgamentos

Dando continuidade às preciosas reflexões sobre a Competência Emocional denominada Empatia, foi contada “A História de Jorge”, onde cada cena se passava mediante o olhar de diversos observadores, que descreviam as personagens Jorge e Lúcia à luz de visões preconcebidas.

Ouvimos a descrição de um garçom de um bar frequentado pelas personagens Jorge e Lúcia, pela vizinha de Jorge, pela Mãe de Lúcia e pelo Pai de Jorge. Cada um narrava os fatos de forma distinta do outro, concitando-nos à reflexão sobre os “pontos de vista” que temos adotado em nossos relacionamentos.

Ao final, foi lida a história narrada pelo próprio Jorge e foi uma grande surpresa para todos os participantes, pois foi completamente distinta das versões que havíamos construído com base nos depoimentos das outras personagens.

Com esta dinâmica percebemos quão é fácil elaborar julgamentos, que, muitas vezes, distanciam-se da realidade e impedem que a empatia se instale em nossos corações.

Com empatia, ou seja, a habilidade de compreender o outro, colocando-se em seu lugar, construiremos relacionamentos saudáveis e estaremos mais próximos da felicidade.

Clique para conferir a história: “A história de Jorge”

 

III – Arte e Interpretação

Prosseguimos os estudos com a leitura do Poema Mundo Grande, de Carlos Drummond de Andrade, que segue:

MUNDO GRANDE

Carlos Drummond de Andrade

 

“Não, meu coração não é maior que o mundo.

É muito menor.

Nele não cabem nem as minhas dores.

Por isso gosto tanto de me contar.

Por isso me dispo.

Por isso me grito,

por isso frequento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias: preciso de todos.

 

Sim, meu coração é muito pequeno.

Só agora vejo que nele não cabem os homens.

Os homens estão cá fora, estão na rua.

A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.

Mas também a rua não cabe todos os homens.

A rua é menor que o mundo.

O mundo é grande.

 

Tu sabes como é grande o mundo.

Conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão.

Viste as diferentes cores dos homens.

as diferentes dores dos homens.

sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso

num só peito de homem… sem que elo estale.

 

Fecha os olhos e esquece.

Escuta a água nos vidros,

tão calma. Não anuncia nada.

Entretanto escorre nas mãos,

tão calma! vai’ inundando tudo…

Renascerão as cidades submersas?

Os homens submersos — voltarão?

Meu coração não sabe.

Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.

Só agora descubro

como é triste ignorar certas coisas.

(Na solidão de indivíduo

desaprendi a linguagem com que homens se comunicam.)

 

Outrora escutei os anjos,

as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.

Nunca escutei voz de gente.

Em verdade sou muito pobre.

 

Outrora viajei

países imaginários, fáceis de habitar.

ilhas sem problemas, não obstante exaustivas e convocando ao suicídio

 

Meus amigos foram às ilhas.

Ilhas perdem o homem.

Entretanto alguns se salvaram e

trouxeram a notícia

de que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias,

entre o fogo e o amor.

 

Então, meu coração também pode crescer.

Entre o amor e o fogo,

entre a vida e o fogo,

meu coração cresce dez metros e explode.

— Ó vida futura! nós te criaremos

 

O grupo achou o poema muito profundo e de grande requinte literário, inclusive gerando algumas dificuldades de interpretação e visões bem diferenciadas quanto à proposta do autor.

Percebemos que cada um utilizou as suas bagagens e deu seu colorido às palavras de Carlos Drummond de Andrade.

 

IV – Exercitando a Empatia

Por fim, gerando um excelente debate, onde cada indivíduo pôde refletir sobre si mesmo, analisamos algumas frases relacionadas à Empatia, quais sejam:

  • Cada pessoa é única.
  • Escutar antes de falar.
  • A importância da linguagem corporal.
  • Abandone os julgamentos.
  • Empatia não é fingimento.
  • “Sofrer com o outro” ou “sentir o outro”.
  • “Agradar o outro” ou “auxiliar o outro”.

Nesse clima, de um sentir o outro, nos despedimos desejando que você encare positivamente suas experiências na vida, valorizando os relacionamentos e abandonando os julgamentos, para que possa fazer profundas construções no âmago do Ser.

Autoria Equipe Pedagógica Ubuntu Vila Educacional

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