Oficina Educação em Foco “Vontade – poder de transformação”

O que é a Vontade humana? Porque se diz que é o maior e o mais divino dos poderes que residem no homem?

Em um de nossos encontros, refletimos sobre a vontade, assistindo à palestra do canal do Youtube Nova Acrópole: Vontade – Poder de Transformação, que pode ser assistida no link  (https://www.youtube.com/watch?v=NU7_2Wu1tDo).

No vídeo, Lúcia Helena Galvão aponta que a vontade é parte da constituição do Ser Humano. Apresenta-nos a imagem da Espada Excalibur como símbolo da vontade por excelência.

No mito do Rei Artur, quando ele se torna rei, recebe da Dama do Lago a Excalibur, acima das águas. A horizontalidade das águas representa a divisão entre a materialidade e a espiritualidade.

A espada, associada à vontade humana, quando acima das águas, é vontade espiritual, com capacidade para pensar na humanidade, sem o egoísmo característico do homem voltado ao interesse pessoal. Então, a espada bem forjada, representa a vontade – o aço que atravessa qualquer matéria.

Perseverança e constância

Inspirada em Platão, nos faz refletir sobre o esvaziamento da palavra vontade, comumente associada a desejos, que frequentemente são desejos frustrados. Foi preciso, então, juntar-se a ela o substantivo força.

Força de vontade designa alguém que é determinado, que não desiste, que atinge seus propósitos, reconciliando assim a palavra com seu sentido original.

“A vontade é lúcida e perseverante”, nos diz Lúcia Helena. Quer demonstrar com isso que a força aplicada à vontade não é a explosiva, aquela advinda da cólera ou das paixões. Mas sim, aquela consciente, exemplificada pela imagem do alpinista que utiliza ritmo – perseverança e constância – para chegar ao seu alvo. Perseverança é fazer sempre, já constância é lembrar por que está fazendo, para que não se caia na mecanicidade.

O sofisma da dúvida

A dúvida pode existir quanto aos meios, porém nunca quanto aos fins. A finalidade humana não pode ser colocada em dúvida. O alpinista não pode ter dúvida se a sua corda está bem presa, sob pena de perder a vida. A vontade fica debilitada sem um sentido de vida claro, sem um ideal nobre, justo e bom (acrescentei)!

Lúcia critica a sociedade atual que cultua a debilidade. Os heróis ou ídolos que escolhemos são importantes nesse sentido, pois nos dão um modelo do ideal que devemos perseguir. No entanto, atualmente, nossos ídolos são débeis, estando abaixo ainda do homem considerado mediano, o pai de família que batalha diariamente por sustentar sua família, por exemplo.

Motivação x Esforço

A reflexão aqui é no sentido de diferenciar a vontade em dois aspectos: a do esforçado e a do motivado. O esforçado precisa utilizar muita energia para fazer o que se propõe, precisa enfrentar uma resistência que ele próprio se impõe. Já aquele que está motivado, tem nesta motivação o seu motor.

Vontade como elemento interno

A vontade é o veículo que domina os outros aspectos do ser, como a mente, as emoções, o corpo físico e o corpo energético. Impõe-se aos outros, sintetizando as potências humanas e canalizando-as em uma única direção, buscando formas de avançar.

É uma voz silenciosa, um olhar profundo que nos solicita o cumprimento da missão a que viemos desempenhar. Exemplos como o de Joana D’arc que transpôs circunstâncias difíceis, quase impossíveis, demonstra muito bem esse domínio da vontade sobre os outros corpos.

Caso a vontade não esteja no comando, mesmo com todos os outros aspectos em ideal funcionamento, o homem não consegue realizar nada. Para que haja esse domínio da vontade, é necessário que se tenha uma desidentificação com os outros corpos. Identificar-se com o corpo ou com a mente, por exemplo, acreditando que se é somente isso, não possibilita-se à vontade o domínio deles.

“Vontade é controle! Controle sobre nós mesmos”, afirma Lúcia Helena Galvão.

Entusiasmo x Empolgação

A empolgação é comparada a uma montanha russa, com ciclos de altos e baixos quase que instantâneos. Em um momento estamos empolgados, para logo depois nos apresentarmos indiferentes.

Enthousiasmos vem de duas palavras: en e theos. En significa “dentro”. Theos significa “deus”. Assim, enthousiasmos significava literalmente “ter um deus dentro de si”. (Dicionário Etimológico: etimologia e origem das palavras. Disponível em <https://www.dicionarioetimologico.com.br/entusiasmo/>. Acesso em 11 abr. 2018.).

O entusiasmo, então, facilmente se mantém ao longo da vida porque a vontade é considerada divina. Todos os seres que fizeram história tinham entusiasmo e não empolgação.

Rastro da vontade

Inspirada agora em Elena Petrovna Blavátskaya, filósofa do século XIX, que questiona sobre o que existe de realidade nas coisas, visto que se vão pela corrosão do tempo, Lúcia Helena coloca que essas coisas ”são rastro da vontade dos que as construíram”.

São três os tipos de ação, segundo Kant: A ação por dever – a vontade pura; a ação por desejo – a egoísta; e a apatia – onde nem por um desejo o ser busca o movimento. O rastro deixado por uma vontade pura, obviamente será gigantesco se comparado com o causado por um desejo egoísta. As pirâmides do Egito são um exemplo desse rastro advindo de uma vontade pura.

Que rastros estamos deixando? Tenhamos coragem para uma autoanálise! Seremos reconhecidos pelas obras que deixarmos como rastro! Nossa cupidez deixará rastros efêmeros, enquanto que uma vontade poderosa poderá fazer história.

Onde há uma vontade há um caminho!

Ilude-se o homem que acredita que as circunstâncias adversas impedem uma vontade pura e determinada. Como o aço bem forjado, que atravessa a matéria, o detentor desta vontade sente-se desafiado por vencer um cenário adverso, seja ele qual for, tornando-se cada vez mais fortalecido. A direção dada, no entanto, precisa ser voltada para o bem da humanidade e não aos interesses pessoais.

O conceito cristão de fé também se refere a esse poder divino que está dentro do ser humano. Em Mateus 17:20 encontramos “[…] Eu asseguro que, se vocês tiverem fé do tamanho de um grão de mostarda, poderão dizer a este monte: ‘Vá daqui para lá’, e ele irá. […]”. Que poder é esse que reside em nós, que com reduzida parcela, somos capazes de realizações gigantescas?

Síntese para o futuro

Não há outra forma de suplantar qualquer problema, que não seja através da vontade. Ao invés de procurar a origem ou culpados de alguma situação (acrescentei), precisamos utilizar a vontade para resolver – a síntese voltada para o futuro, segundo Lúcia Helena.

Quando canalizamos a vontade para agir desta forma, a natureza nos traz as ferramentas necessárias. Os contos de fada simbolizam bem isso, quando apresentam (acrescentei) o príncipe indo salvar a princesa que está presa nas garras de um dragão, motivado por um sentimento nobre, justo e bom, sem ser movido por interesse pessoal. No caminho, “armas mágicas” lhe são entregues, e ele, mesmo sendo um simples jovem, consegue vencer o dragão.

Disciplina e ordem

A vontade é como um raio de luz, diz Lucia Helena, para chegar ao mundo necessita de um canal. A simbologia usada aqui é a da flecha, representando a vontade, que precisa passar por vários orifícios alinhados, que representam a ordem, contada na história de Ulisses.

A ordem e a disciplina podem ser utilizadas tanto para a virtude quanto para o vício. A ordem dá poder! E o poder é atributo divino. A aversão ao poder deve ser revista, pois ele não é algo ruim, mas, infelizmente, é utilizado, frequentemente, com fins egoístas e não sublimados.

Os jovens sempre buscam exemplos de coragem e ousadia. Para que passem a valorizar o comportamento virtuoso e não a debilidade, a melhor forma de inspirá-los e provocar-lhes admiração é canalizando nossa vontade para o compromisso com a vida, com realizações nobres, justas e boas.

Vontade pura

A pessoa sem vontade transforma a si mesma em um “cemitério de sonhos humanos, abatidos pelo meio do caminho”.

O que é então a vontade pura? Qual a essência da vontade humana? É aquela dos heróis, a ação por dever, daquele que não quer nada para si, que quer apenas “ser” humano. A chamada reta ação. O que se espera de um ser humano? Do que somos capazes de abrir mão no plano material para que possamos “ser” humanos? É coerente e nobre abrir mão das virtudes pelos desejos?

A vontade torna-se muito mais poderosa com propósitos espirituais do que com os egoístas. É essa que vai deixar marcas na eternidade! Essa é a maior potência que o homem pode chegar a conhecer!

Viver a Essência Humana! Viemos aqui para isso!

Autoria Equipe Pedagógica Ubuntu Vila Educacional

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