Oficina Educação em Foco “Consciência Corporal”

Consciência Corporal, tema bastante veiculado nos meios de divulgação do conhecimento. Sentimos a necessidade de melhor compreender seus fundamentos, dada a sua importância como componente essencial de uma educação mais ampla e transformadora, considerando o ser como uma unidade, que não deve receber uma educação fragmentada, parcial.

Partindo desta premissa, buscamos investigar e refletir sobre o tema em seus mais variados aspectos. Experiência que agora nos propomos compartilhar com todos, relatando em uma linguagem simples como tudo se deu.

Vamos ao tema!

Buscamos um eixo norteador para o desenvolvimento do nosso trabalho e o encontramos no artigo “Consciência Corporal: O que é?”, publicado pela professora Mariana Garcia Marques, doutoranda em Artes Cênicas(UFBA), mestre em Artes Cênicas(UFBA), professora da Escola de Teatro e Dança da UFPA (ETDUFPA).

Consciência Corporal: O que é?

Utilizamos o mesmo questionamento para dar início à nossa discussão, momento em que o grupo pôde avaliar o alcance do seu entendimento no que se refere ao tema. Após uma breve reflexão, mergulhamos no texto que nos serviu de referência para as construções feitas.

Para Melo (1997a apud Marques 2009, p.1), consciência corporal emerge como nível mais complexo e mais refinado na organização da noção do corpo. Segundo o autor, a consciência corporal é o meio mais refinado de se fazer a interagem do homem. Nesse sentido, Bertherat afirma:

Nosso corpo somos nós. É a nossa única realidade perceptível. Não opõe à nossa inteligência, sentimento, alma. Ele inclui e dá-lhe abrigo. Por isso, tomar consciência do próprio corpo é ter acesso ao ser inteiro… pois, corpo, espírito, psíquico e físico e até a força e fraqueza, representam não a dualidade do ser mais sua unidade. (apud MELO 1997a, p. 19)

Esses autores sugerem que a consciência corporal seja entendida como um processo de interação entre todos os aspectos implícitos no trabalho a ser desenvolvido com o corpo. Para Lê Boulch (1983 apud Marques 2009, p.1), esses aspectos consistem em coordenação óculo-manual, coordenação dinâmica geral, lateralidade, interiorização, segmentos corporais, percepção-temporal, percepção-espacial. Em minha pesquisa, esses aspectos, frutos da psicocinética, podem ser observados no aprendizado da dança na infância.

Importa aqui definir alguns termos que nos auxiliarão a ter melhor compreensão do que está sendo abordado.

Psicocinética é a produção de movimento em objetos físicos pelo exercício de poder mental ou psíquico. (Fonte: www.dicionarioinformal.com.br)
Energia cinética (em física) é a quantidade de trabalho que teve que ser realizado sobre um objeto para tirá-lo do repouso e colocá-lo em movimento. (Fonte: www.dicionarioinformal.com.br)
Neuromotricidade é a integração entre as funções motrizes e mentais sobre o efeito do desenvolvimento do sistema nervoso, destacando as relações existentes entre motricidade, mente e afetividade do indivíduo. (Fonte: www.dicionarioinformal.com.br)

Partindo desta fundamentação, buscamos estudar cada item da consciência corporal citado no texto acima, aproveitando para experienciar, na prática, atividades que nos desafiassem o desempenho em cada aspecto.

Entendemos que era imprescindível iniciarmos pela definição de Coordenação Motora, uma vez que esta capacidade será abordada com alguns de seus desdobramentos.

Coordenação Motora

É a capacidade de usar de forma mais eficiente os músculos esqueléticos (grandes músculos), resultando em uma ação global mais eficiente, plástica e econômica. Este tipo de coordenação permite a criança ou adulto dominar o corpo no espaço, controlando os movimentos mais rudes.

Para uma melhor compreensão de como trabalham os músculos esqueléticos assistimos a dois vídeos cujos links disponibilizamos abaixo:

Passamos então para uma abordagem pormenorizada da coordenação motora, iniciando pela Coordenação Motora Fina e Óculo-manual, ocasião em que também demos início às nossas atividades práticas.

Coordenação motora fina e óculo-manual

Diz respeito à habilidade e o exercício manual e institui uma aparência particular da coordenação global. É necessário ter condições de desenvolver formas diversas de pegar os diferentes objetos. Não é suficiente possuir somente a coordenação fina, é imprescindível que haja também controle ocular, isto é, a visão acompanhando os gestos da mão. Chama-se a isto de coordenação óculo-manual. A coordenação óculo-manual se efetua com precisão sobre a base de um domínio visual previamente estabelecido, ligados aos gestos executados, facilitando, assim, uma maior harmonia do movimento.

(A PSICOMOTRICIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL – Juliana Melo de Sousa / João Batista Lopes da Silva. Revista Eventos Pedagógicos v.4, n.2, p. 128 – 135, ago. – dez. 2013)

E como atividade prática testamos nossa coordenação óculo-manual no lançamento de dardos, que apesar de não representar coordenação fina atende aos nossos objetivos, por se tratar de um ato motor coordenado pela visão.

Vários pequenos alvos coloridos (argolas plásticas) foram fixados em uma plataforma de madeira. O objetivo era escolher um dos alvos e tentar acertá-lo ou chegar o mais próximo possível. Pudemos então sentir como anda a nossa consciência corporal neste particular.

Quanto mais avançávamos no conhecimento desta área do nosso desenvolvimento, maior importância o tema ganhava dada a sua abrangência e importância quando se pensa em uma vida de mais qualidade.

Envergando o tema Coordenação Motora Global percebemos que um outro aspecto se torna relevante no desenvolvimento desta capacidade, o Equilíbrio Postural. Evidentemente que todas essas capacidades estão interligadas e acabam por se completarem potencializando o desenvolvimento pleno do indivíduo.

Coordenação Motora Global

Diz respeito à atividade dos grandes músculos. Depende da capacidade de equilíbrio postural do indivíduo. A coordenação global leva a criança a adquirir a dissociação de movimentos. Isto significa que ela terá condições de realizar diversos movimentos ao mesmo tempo, cada membro realizando uma atividade diferente, havendo uma conservação de unidade do gesto.

Duas atividades práticas foram propostas, as quais passamos a descrever:

  1. Primeiramente, testamos nosso desempenho no ato de pular corda. Situação em que o grupo não encontrou grandes dificuldades.
  2. Como segundo desafio, deveríamos passar correndo por uma corda girando, sem que esta tocasse em nenhuma parte do nosso corpo. Este desafio exigiu um pouco mais do grupo.

Para abordarmos a Lateralidade recorremos à uma definição proposta por Oliveira (2007 apud Sousa e Silva 2013).

Lateralidade

É a propensão que o ser humano possui de utilizar preferencialmente mais um lado do corpo do que o outro em três níveis: mão, olho e pé, significando que o indivíduo utiliza um lado do corpo com maior predominância, com mais precisão, é ele quem executa a ação principal, ficando para o outro lado a função de auxiliar nessa ação, entretanto, os dois não funcionam isoladamente, mas de forma complementar.

O boliche foi a atividade desenvolvida. Uma vez que todos eram destros, definimos que os primeiros lançamentos seriam executados com o braço direito. Tarefa cumprida com êxito. Com o braço não dominante a tarefa se configurou mais desafiadora, o que é natural.

A partir desta etapa do nosso estudo, invertemos a nossa dinâmica, iniciamos o nosso trabalho pela experiência prática. Desenvolvemos atividades relacionadas a um dos aspectos da consciência corporal e, em seguida, o grupo tentou identificar a que capacidade estávamos nos referindo.

Realizamos alguns movimentos amplos envolvendo os segmentos corporais de braços e pernas simultaneamente. O desafio inicial foi o de realizar o movimento de abrir e fechar as pernas enquanto os braços seguiam os seguintes comandos: quando as pernas estivessem fechadas os braços permaneceriam estendidos à frente. Ao afastar as pernas, o braço direito se elevaria acima da cabeça e o esquerdo se estenderia lateralmente. Voltar-se-ia à posição inicial e ao se repetir o movimento, se inverteria a posição dos braços, direito na lateral e esquerdo erguido acima da cabeça.

Brincamos um pouco de criar movimentos novos e em seguida fomos à definição do termo.

Segmentos Corporais e Coordenação Motora

A coordenação motora dos diferentes segmentos corporais implica uma ação precisa dos vários grupos musculares, a qual não pode ser encarada como um músculo ou um grupo muscular agindo sobre uma articulação, mas como um conjunto muscular que pretende realizar determinado movimento (Marinho, 2003).

Melhor compreendido este aspecto avançamos para a próxima capacidade, desenvolvendo as seguintes atividades:

  1.       Nos distribuímos pelo espaço e cada componente manteve perto de si uma cadeira. Respondemos aos seguintes estímulos com relação a esta: Fique perto; longe; à meia distância; muito longe; muito perto; à frente; atrás; à direita; à esquerda; ao lado; abaixo; acima; em baixo; em cima.
  2.       Mudamos a dinâmica. Esses foram os comandos a partir de então:

Seja uma pessoa alta; uma pessoa baixa; mais magro; mais gordo; qual o objeto que está mais longe de você? E o que está mais perto? Qual a pessoa que está mais longe de você? E a que está mais perto?

Vamos à definição desta capacidade!

Percepção Espacial

É a capacidade que o indivíduo tem de situar-se e orientar-se em relação aos objetos, às pessoas e ao seu próprio corpo em um determinado espaço. É saber localizar o que está à direita ou à esquerda; à frente ou atrás; acima ou abaixo de si, ou ainda, um objeto em relação a outro. É ter noção de longe, perto, alto, baixo, longo, curto (ASSUNÇÃO; COELHO, 1997, p.91-96).

A orientação espacial é a capacidade que tem o indivíduo de situar-se e orientar- se, localizar outra pessoa ou objeto dentro de um determinado espaço.

É através das relações espaciais que nos situamos no meio em que vivemos.

Finalizamos nosso trabalho avançando pela última capacidade estudada, desenvolvendo as seguintes atividades:

  1. Em primeiro lugar trabalhamos ritmo com o auxílio de um pandeiro. Um componente por vez ditava o ritmo da nossa marcha. Lento; rápido; uma cadência média; muito rápido; muito lento;
  2. Em seguida lançamos uma bolinha para cima repetidas vezes e quando considerássemos que a tarefa já durava 10 segundos deveríamos parar. Os desempenhos variaram bastante.
  3. Na última atividade seguimos os seguintes comandos:
  4. Lançando a bola para cima durante 5 segundos;
  5. Antes de lançar a bola, bata uma vez o pé no chão;
  6. Depois de bater o pé, bata uma vez com a mão na coxa direita;
  7. Imediatamente antes de lançar, limpe a bolinha;

Obs: Os movimentos deveriam ir se completando até finalizar com o lançamento da bola durante 5 segundos.

Qual a definição?

Percepção temporal

É um campo de estudo dentro da psicologia e da neurociência que se refere à uma experiência subjetiva da vida, o tempo, que pode ser medido por alguém a partir da própria percepção da duração do desenrolar dos acontecimentos.

É a capacidade de situar-se em função da sucessão dos acontecimentos (antes, após, durante), da duração dos intervalos (noção de tempo longo e curto, noção de cadência rápida e lenta).

Noções de tempo longo, de tempo curto (uma hora, um minuto).

Noções de ritmo regular, de ritmo irregular (aceleração, freada); Noções de cadência rápida, de cadência lenta (diferença entre a corrida e o andar); Da renovação cíclica de certos períodos: os dias da semana, os meses, as estações; Do caráter irreversível do tempo: “já passou… não se pode mais revivê-lo”, “você tem cinco anos… vai indo para os seus seis anos… quatro anos, já passaram!”, noção de envelhecimento (plantas, pessoas).

E assim encerramos este estudo introdutório sobre Consciência Corporal, tema que pretendemos abordar com maior profundidade em futuro próximo.

Autoria Equipe Pedagógica Ubuntu Vila Educacional

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